A violência recíproca, sintetizada na guerra, continua a ser uma constante na história. Alguns argumentam que isso não se deve a um instinto de agressão ou riscos económicos de desarmamento, mas à ausência de uma alternativa real à violência como árbitro final dos conflitos internacionais. Outros defendem que a racionalidade e o debate público são as únicas alternativas viáveis, seja em contextos interpessoais, intergrupais ou internacionais.
Este artigo explora se uma cultura da verdade pode promover a compreensão e a paz, e se a racionalidade pode reduzir a violência.
Argumenta-se que o racionalismo utópico, incorporado nos currículos nacionais, é insuficiente para o papel das escolas na promoção da compreensão mútua. Em vez disso, propõe-se uma recuperação da tradição inaciana de disputas, pois oferece um modelo promissor de formação em pensamento crítico e diálogo, equipando os indivíduos para combater a violência através da troca crítica de ideias.
Complementarmente, advoga-se articulação com os princípios de uma ética dialógica ou cívica
e cordial, nomeadamente os princípios da não instrumentalização das pessoas, da distribuição equitativa dos recursos, da participação dialógica dos afectados ou da responsabilidade pelo seres indefesos não
humanos, permitiria reforçar as capacidades cognitivas e as disposições exercitadas de forma empoderar e capacitar as pessoas para reagir e resistir às diversas formas de violência sem comprometer a verdade, a
justiça e a paz.