In: Armanda Costa e Inês Duarte (Org.), Nada na Linguagem lhe é Estranho. Estudos em Homenagem à Professora Isabel Hub Faria. Porto: Ed. Afrontamento · 1 de jan de 2012
A ANÁLISE DA CAUSALIDADE MENTAL assume, geralmente, que a rede conceptual da acção é independente da rede conceptual das causas e dos efeitos. O estudo do uso dos lexemas verbais derivados de –duzir mostra, porém, que existe pelo menos um campo lexical capaz de significar diferentes tipos de causação em múltiplos domínios (físico, psicológico, social, inferencial, discursivo) e tanto no uso vulgar quanto no uso científico dos seus termos, definindo assim um mesmo vocabulário para o mental e o físico.
O seu enraizamento na gramática da língua explica-se, provavelmente, pela sua utilidade para simbolizar, categorizar e explorar as diferentes dinâmicas de causação e controlo que definem o ambiente físico e social que cada falante habita e para interpretar, narrativa e retrospectivamente, a experiência humana nas suas múltiplas dimensões.
Consequentemente, em vez da dicotomia usual entre causalidade física e causalidade mental e em vez de uma antinomia semântica entre razões e causas, importa reconhecer o parentesco entre Razão e Causa: são categorias análogas de uma mesma rede semântica e têm uma função semiótica comum: simbolizar e explicitar a trama de implicações entre os fenómenos percebidos ou concebidos. Saber até que ponto isto é cientificamente útil ou se essa trama é real, já é outra questão.