Escrever é olhar e dar a olhar: um modelo processual e experiencialista da escrita
(Capítulo de livro | https://doi.org/10.17990/Axi/2020_9789726973300_295)
AS DIFICULDADES COM A ESCRITA em alunos é habitualmente considerado como um problema geracional, mas solucionável. No entanto, as estratégias curriculares e práticas pedagógicas dominantes baseiam-se num duplo equívoco: a escrita deve guiar um processo linear e mais leitura induz melhorias significativas na fala e na escrita.
As deficiências nas competências de escrita permanecem 25 anos depois dos primeiros estudos sobre a alfabetização nacional, revelando o fracasso das pedagogias de escrita dominantes e não um problema geracional.
Uma concepção experiencialista das relações entre linguagem, cognição e realidade revela a solidez neurocognitiva tanto das fontes aristotélicas sobre a retórica quanto da abordagem retórica da escrita. O Sermão da Sexagésima do P. António Vieira resume essa abordagem e a Ratio Studiorum da Companhia de Jesus equaciona as condições necessárias para a sua execução nas organizações educativas.
A partir desses elementos e do paradigma experiencial, este artigo apresenta um modelo experiencial e processual de escrita e condições necessárias para sua implementação nas organizações educacionais.