Esta publicação apresenta um novo modelo para a pedagogia da escrita. Quando tantos, e há tanto tempo, denunciam o mal da escrita escolar, importa recuperar ensinamentos valiosos do imperador da língua portuguesa, nomeadamente a súmula de pedagogia da textualização contida no capítulo VI do Sermão da Sexagésima.
O novo modelo é um modelo processual e experiencialista da escrita, baseado numa revalorização linguístico-cognitiva de alguns ensinamentos da tradição retórica.
A publicação é composta por dois estudos. No primeiro, discute-se a função textual da linguagem no Sermão da Sexagésima, do P. António Vieira sj e mostra-se que escrever é textualizar pensamentos e que este conhecimento é mais procedimental que declarativo. O segundo ensaio começa por evidenciar a falência do modelo “Ler+ para escrever melhor” para depois propor um modelo processual e experiencialista da escrita baseado numa reanálise linguístico-cognitiva da tradição retórica, sumariada no capítulo VI do Sermão da Sexagésima, e da institucionalização do ensino da escrita proposta na Ratio Studiorum da Companhia de Jesus.
Em suma, estes dois estudos sinalizam falhas importantes no actual modelo pedagógico de escrita (ignora a natureza procedimental da textualização; sacrifica a natureza processual e temporal da escrita no altar do contexto imediato da avaliação; não cuida do acompanhamento diferenciado nos processos de escrita), mas também propõem um novo modelo pedagógico para o desenvolvimento da escrita em contexto escolar.